segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Força sobre razão


Há 50.000 anos o ser humano desenvolveu o pensamento abstrato e, ao longo de sua evolução, esperava-se que a força, responsável pela definição do líder entre os animais, fosse lentamente substituída pela razão no homo sapiens. Para estes, a razão nortearia também as decisões.

Por isso, gerou surpresa a rapidez com que a força demonstrada pela PF repercutiu junto ao Governo, mesmo a razão dizendo que a educação deveria ter prioridade.

A mesma razão levou o Governo a aumentar, muito corretamente, o salário mínimo em percentuais acima das demais faixas. Ganhou o Brasil, que diminuiu, mesmo que pouco, diferenças sociais antigas.

Por este raciocínio, aumentar o salário dos professores, principalmente de primeiro e segundo graus, seria necessário. Não somente para investir em uma área sabidamente importante e catalizadora de mudanças positivas para o país, mas também para corrigir uma defasagem salarial em relação ao da PF (além de outros órgãos mais privilegiados).

Em números:

De acordo com dados do Portal da Transparência, no mês de junho/12, a média salarial (líquido) dos agentes da Polícia Federal foi de R$ 9.106,96. No mesmo mês, a média salarial dos professores do ensino médio e fundamental foi de R$ 3.804,80. São 146% de diferença, correndo o risco de ser ainda maior se considerados os salários de professores do poder estadual e/ou municipal.

Não se deseja estipular qual categoria é mais importante para o país, mesmo porque tanto segurança como educação são muito importantes. Entretanto, os números mostram privilégio claro para a PF (ou Receita Federal, Banco Central, Senado, Câmara, TCU e Justiça entre outros). Não seria o momento de reduzir a diferença e mostrar que o Brasil, de fato, investirá na educação?